CPC-UMES apresenta a Mostra “Cinema e Literatura”

O Centro Popular de Cultura da UMES orgulhosamente apresenta a Mostra “Cinema e Literatura”, uma menção a algumas das grandes obras brasileiras, filmadas e escritas, que fizeram parte da nossa construção como sociedade e nação. 

“Se aprendesse qualquer coisa, necessitaria aprender mais, e nunca ficaria satisfeito.” (Graciliano Ramos em Vidas Secas)

Há no Brasil quem não entenda a violência da opressão em Fabiano – que julgava-se cabra – em “Vidas Secas”, que faça pouco caso do papel da mestiçagem de Pedro Archanjo, em “Tenda dos Milagres” e não se reconheça no duelo entre o bem e o mal de Augusto Matraga. 

Mas, e a Capitu, traiu ou não o Bentinho?

O Cinema e a Literatura, duas formas de arte que podem nos ajudar a nos entendermos no mundo – como gente, e não como cabras. Duas formas de combater a barbárie geralmente representada por modelos “modernos” de ensino como “escolas sem partido”, “cívico-militares” ou qualquer outra nova invenção usada para censurar o conhecimento. Aprender é resistir.

O Cine-Teatro Denoy de Oliveira está situado no coração do Bixiga, na Rua Rui Barbosa, 323.

PROGRAMAÇÃO

SEXTA-FEIRA (06/03): VIDAS SECAS
Nelson Pereira dos Santos (1963), 103 min. Exibição em 35mm.

Baseado em livro de Graciliano Ramos, um dos livros mais importantes da literatura brasileira. Narra a jornada de uma família de retirantes entre duas grandes secas que tomaram o sertão durante os anos de 1940 e 1942. 

Fabiano, Sinhá Vitória, o Menino mais Velho, o Menino mais Novo e a cachorra Baleia vagam sem destino e já quase sem esperanças pelos confins do sertão, sobrevivendo à fome, à miséria e à crueldade dos homens.

Um clássico brasileiro, “Vidas Secas” faz parte da primeira fase do movimento Cinema Novo. O filme teve suas cópias confiscadas pela ditadura militar, mas foi exibido no mesmo ano no Festival de Cannes, o que lhe garantiu reconhecimento internacional.

SEXTA-FEIRA (13/03): TENDA DOS MILAGRES
Nelson Pereira dos Santos (1977), 132 min. Exibição em 35mm.

O doutor Livingstone, importante antropólogo americano chega a Salvador para pesquisar a vida e obra de Pedro Archanjo, intelectual autodidata, bedel da Faculdade de Medicina, já desaparecido. A notícia imediatamente se espalha pela cidade, nos bares e nos terreiros, provoca muitos eventos, concursos, peças de teatro e até um filme para resgatar a história, até então desconhecida, de uma grande figura popular baiana.

“Tenda dos Milagres” é baseado no romance homônimo de Jorge Amado, livro que foi publicado em 1968 e que, por sua vez, é inspirado na vida de Manuel Querino. O aluno do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia viveu entre a metade do século XIX e o início do XX, e seu trabalho foi pioneiro nos registros antropológicos e da valorização da cultura negra na Bahia.

SEXTA-FEIRA (20/03): SÃO BERNARDO
Leon Hirszman (1971), 114 min.

Do romance de Graciliano Ramos. Paulo Honório, sertanejo de origem humilde, determinado a ascender socialmente, faz fortuna como caixeiro-viajante e agiota. Em uma manobra financeira, assume a decadente propriedade São Bernardo, fazenda tradicional do município de Viçosa, Alagoas. Recupera a fazenda, expande a sua cultura, introduz máquinas para tratamento do algodão, entra na sociedade local. Desejando um herdeiro para um dia assumir o fruto da acumulação do capital, estabelece um contrato de casamento com a professora da cidade, Madalena. O casamento se consuma, mas gradativamente as diferenças entre eles se acentuam.

Prêmio de Melhor Ator do Festival de Gramado para Othon Bastos. 

SEXTA-FEIRA (27/03): CAPITU
Paulo César Saraceni (1968), 105 min.

Baseado em “Dom Casmurro”, romance de Machado de Assis publicado em 1899. Roteiro de Paulo Emílio Sales Gomes e Lygia Fagundes Telles. 

Namorados desde a infância, o casamento de Bentinho e Capitu transcorre no mais absoluto padrão de normalidade para a elite econômica de então. Entre os poucos amigos mais chegados se encontram Ezequiel Escobar e sua esposa, Sancha. Gradativamente, no entanto, Bentinho começa a ter sérias desconfianças sobre a infidelidade de sua amada Capitu com o amigo Escobar. Sua personalidade é transformada pelo ciúmes.

SÁBADO (28/03): A HORA E A VEZ DE AUGUSTO MATRAGA
Roberto Santos (1965), 109 min.

O violento fazendeiro Augusto Matraga é dado como morto após ser traído pela esposa e emboscado por inimigos. Resgatado por um casal, encontra na religião uma chance de redenção. À margem do mundo, acredita estar pagando por seus pecados, à espera de sua hora e vez. Tudo muda quando o jagunço Joãozinho Bem-Bem o reconhece como o homem violento de antes, despertando antigos instintos. Matraga passa então a oscilar entre o desejo de vingança e a bondade que aprendeu a cultivar.

Baseado no conto homônimo da obra Sagarana, de João Guimarães Rosa, “A Hora e a Vez de Augusto Matraga” é banhado pelos mesmos riachos, jagunços, vaqueiros, bois e cavalos que povoam as páginas de Guimarães Rosa.