A Mostra Cinema Brasileiro de A a Z traz, nesta 2a. edição, clássicos da nossa cinematografia popular, com grandes filmes, diretores e atores, e percorre um amplo espectro de realizações, muitas com roteiros adaptados da literatura brasileira.
São obras que revelam características próprias da população, e discutem nossos desafios em imagens articuladas sob dramaturgia consistente, envolvente e implicativa. Após as sessões, nos debates, o presente e o passado, retratados em filmes de ficção, adquirem verdadeiro status de documento, expressão do tempo, convidando-nos a refletir sobre nossa própria essência. Nos documentários, o encontro com a complexidade do real dá origem a narrativas que muitas vezes superam obras inventadas: é nossa profunda especificidade que se coloca como personagem, sugerindo possibilidades de futuro.
Alguns dos trabalhos foram responsáveis por revelar novos intérpretes, que depois se consolidaram. Para ilustrar: “Inocência”, de Walter Lima Júnior, um dos mais importantes cineastas do país ainda em atividade. Adaptação do romance do Visconde de Taunay, foi o filme de estreia de Fernanda Torres, que aos 16 anos contracena com seu pai Fernando Torres. A história do curandeiro que se apaixona por uma menina, no sertão profundo do Brasil do século XIX, têm sua gênese vinculada à nossa história criativa, sendo a materialização de um longo esforço que passa por Humberto Mauro, Carmen Santos, Lima Barreto, e se realiza através do produtor Luiz Carlos Barreto.
Autores dentre os mais importantes, assistidos e discutidos do país ganham foco e se encontram com os múltiplos pontos de vista do público em debates ao vivo, ocasião em que se pode penetrar no imaginário das obras e pensar suas forças subjacentes, alimentando-nos das amplas possibilidades que o exercício possibilita. As fontes literárias da maioria das obras são um atrativo a mais nas discussões.
A Mostra Cinema Brasileiro de A a Z, em sua 2a. edição, é um encontro leve com nossa cultura. Uma oportunidade de estudo, um adentramento em nossa realidade sem perder de vista a diversão. O programa dá combate ao critério importado como pré requisito para o entretenimento em cinema, e revive a ideia consolidada em nossa história, do gosto da população por sua própria expressão. Os filmes serão exibidos aos sábados pela manhã, às 10 da manhã, por seis meses, com os debates acontecendo após as sessões, com entrada gratuita. Em breve anunciaremos também o segundo bloco. Boa sessão!

2ª Mostra Cinema Brasileiro de A a Z
Cine-Teatro Denoy de Oliveira (CPC-UMES)
Rua Rui Barbosa, 323 – Bela Vista – São Paulo
De 13 de junho a 21 de novembro de 2026
Todos os sábados, às 10h
Entrada gratuita
VEJA A PROGRAMAÇÃO DO 1º BLOCO DE EXIBIÇÕES
13/06 – André, a Cara e a Coragem (1971, 91 min.)
Direção: Xavier de Oliveira
Sinopse: Após o sucesso de Marcelo Zona Sul, Xavier de Oliveira volta seu olhar para as classes populares. André (Stepan Nercessian) deixa o Nordeste e segue para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor, enfrentando as dificuldades da grande cidade sem perder sua simplicidade e humanidade.
Debatedor: Xavier de Oliveira – Cineasta e escritor carioca, possui uma obra caracterizada pelo olhar sereno, humano e bem-humorado diante dos problemas brasileiros, desenvolvendo uma perspectiva singular, inventiva e de ritmo próprio.
20/06 – Bom Dia, Eternidade (2008, 98 min.)
Direção: Rogério de Moura
Sinopse: Um ex-jogador de futebol vê sua vida ganhar novos significados ao revisitar lembranças de sua trajetória. Inspirado no humor popular de Denoy de Oliveira e no Movimento Dogma Feijoada, o filme valoriza o protagonismo de homens e mulheres negros na cultura brasileira.
Debatedor: Farid Tavares – Produtor do filme e amigo do diretor, atuou em mais de 30 produções cinematográficas como produtor executivo e diretor de produção.
27/06 – Cabra Marcado para Morrer (1984, 122 min.)
Direção: Eduardo Coutinho
Sinopse: Considerado um clássico do documentário brasileiro, o filme começou a ser rodado como ficção em 1964, foi interrompido pelo golpe militar e retomado duas décadas depois. A obra aborda a luta camponesa e a memória política do país.
Debatedor: Rogério Mattos – Estudioso da linguagem cinematográfica e da obra de Eduardo Coutinho. É formado em História, mestre em Literatura e doutor em História.
04/07 – Doramundo (1979, 95 min.)
Direção: João Batista de Andrade
Sinopse: Baseado no romance de Geraldo Ferraz, acompanha a vida em uma cidade ferroviária imaginária onde o cotidiano é marcado pela opressão, pelo isolamento e pela suspensão dos sonhos e afetos.
Debatedor: João Batista de Andrade – Cineasta, escritor e um dos mais importantes diretores da história do cinema brasileiro.
11/07 – Esse Mundo É Meu (1964, 80 min.)
Direção: Sérgio Ricardo
Sinopse: Ambientado na Favela da Catacumba, no Rio de Janeiro, o filme retrata os anseios populares às vésperas do golpe militar de 1964. Com roteiro, trilha sonora e direção de Sérgio Ricardo, é uma obra emblemática do cinema engajado brasileiro.
Debatedora: Marina Lutfi – Artista, cantora e filha do cineasta e compositor Sérgio Ricardo.
18/07 – Fogo Morto (1974, 88 min.)
Direção: Marcos Farias
Sinopse: Adaptação do romance de José Lins do Rego, retrata a decadência econômica e moral dos engenhos nordestinos e do latifúndio brasileiro, revelando as transformações sociais do país.
Debatedor: Joel Yamaji – Cineasta, pesquisador e estudioso do cinema brasileiro.
25/07 – Gaijin, os Caminhos da Liberdade (1980, 112 min.)
Direção: Tizuka Yamasaki
Sinopse: Um épico sobre a imigração japonesa no Brasil e o processo de formação da sociedade brasileira. A obra acompanha os desafios, conflitos e conquistas dos imigrantes em sua busca por liberdade e integração.
Debatedora: Tizuka Yamasaki – Uma das mais importantes cineastas do país, responsável por inúmeras produções de destaque no cinema nacional.
01/08 – Hoje (2011, 90 min.)
Direção: Tata Amaral
Sinopse: Baseado no livro Prova Contrária, de Fernando Bonassi, acompanha uma mulher que, após receber indenização do Estado pelos crimes da ditadura militar, tenta reconstruir sua vida e superar traumas do passado.
Debatedora: Tata Amaral – Cineasta e diretora do filme. Sua obra investiga aspectos humanos relacionados à realidade brasileira, sendo reconhecida por sua abordagem social e sensível.
08/08 – Inocência (1983, 118 min.)
Direção: Walter Lima Jr.
Sinopse: Inspirado no romance de Alfredo d’Escragnolle Taunay, narra uma história de amor e paixão em meio às limitações sociais do interior brasileiro do século XIX, discutindo liberdade, costumes e destino.
Debatedor: Walter Lima Jr. – Cineasta que figura entre os mais vigorosos, férteis e criativos realizadores do cinema brasileiro.
15/08 – Jango (1984, 115 min.)
Direção: Silvio Tendler
Sinopse: Documentário sobre a trajetória do presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964. A obra revisita as reformas de base, a crise política e os acontecimentos que levaram à ruptura democrática.
Debatedor: João Vicente Goulart – Escritor, filho, biógrafo e preservador da memória de João Goulart. Foi candidato à Presidência da República em 2016.
22/08 – Kasa Branca (2024, 95 min.)
Direção: Luciano Vidigal
Sinopse: Comédia dramática ambientada nas periferias do Rio de Janeiro. O filme aborda relações familiares, afeto, solidariedade e os desafios cotidianos enfrentados pela população das comunidades cariocas.
Debatedor: Luciano Vidigal – Cineasta e ator que ganhou projeção nacional a partir de sua participação em Cidade de Deus, desenvolvendo uma trajetória artística ligada ao Vidigal e às periferias cariocas.
29/08 – Lavoura Arcaica (2001, 123 min.)
Direção: Luiz Fernando Carvalho
Sinopse: Adaptação do romance de Raduan Nassar. O drama acompanha os conflitos de André com sua família patriarcal, explorando temas como desejo, tradição, religião e repressão em uma narrativa marcada pela força poética e visual.
Debatedor: Luiz Fernando Carvalho – Diretor reconhecido pelo rigor artístico e pela inventividade estética, atualizando em sua trajetória os aspectos sensoriais da experiência cinematográfica brasileira.
Ficha Técnica da Mostra
- Realização: CPC-UMES
- Curadoria e programação: Caio Plessmann de Castro
- Produção executiva: Mariara Cruz
- Arte gráfica e identidade visual: Apolo Longhi
- Projeção: Leonardo da Vincci
- Apoio de produção: Luisa Lopes, Vitor Solemar, Danilo Ribeiro, Júnior Fernandes, Ana Letícia Oliveira e Gabriela Barbosa.
